até que um choque asteróide

...abrevie a humana demência
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Não sei porque


Não sei porque estou aqui

Ninguém sorri-me enquanto passa


O vazio da solidão aprofunda-se ao preenchê-lo

Exceto do silêncio que não se cala


Passo em pressa pela vida

Tento mas não persisto

Lentamente por encantá-la

Penso, não sei se existo




 

alma


verto sangue como lava do vulcão de minha carne
lágrimas quentes derretem os castelos de areia
que um dia chamei de sonhos

sinto-me enforcar e sufocar pelas mesmas tranças
de cabelos lisos que adornavam minhas fantasias
olho nos teus olhos que já foram amantes...
de onde vieram tanta indiferença e desprezo?

sinto-me tentar a morte, ao deitar-me no leito frio
quero gelar-me com ele e partir-me em dois como nós partimos
mas o calor de tua lembrança ainda queima sem me aquecer
mantém-me vivo apesar do frio, desperto apesar da dor

sinto-me oprimir a rotina, os dias que passam sem passar nada
repito compulsivamente um ritual mecânico
repito compulsivamente um ritual mecânico
para convencer-me de que não tenho alma



 

(para ser cantada)


Somebody has been living my dream

Somebody, I haven't heard his name, but it's just the same

Somebody was blessed by life and I must thank the world

For how much it hurts
On every tear i cry
For every truth i scream
On every night alone

I must remember this

He's been living my dream and thank god

Somebody's living a dream



 

Maria Elisa


nova vida, nova luz,
nova estrela todos seduz

vens alegre pedindo passagem
entre ensaios e decolagens

pulsas brilhante amarela rosa,
já és amante poeta e prosa

pequena dama, um anjo avisa,
chegou e chama-se maria elisa



 

asas


As asas às avessas
Que queres querubim
Me montas manifestas
Em exaltado estado enfim

As asas ampliadas
Que correm com
Meneio, mostram-me mundo
Enorme, encantam e esteiam

Eu sempre tive asas
Nem sempre as percebi
Mostrastes-me a mim mesmo
E por ti renasci



 

silence!


Silêncio, um estranho companheiro. Que negamos ao pronunciá-lo como som, ao escrevê-lo como palavra, ao pensá-lo como idéia. E ainda assim, sua presença em cada um e em cada conjunto é o que nos confere uma esfera íntima. Conhecemos alguém através do silêncio que se forma quando estamos juntos; sozinhos em nosso silêncio, conhecemos a nós mesmos. O animal humano compartilha o silêncio, quando às vezes este preenche o vazio, às vezes revela o presente. Através dele, amizades adquirem realidade, indivíduos também. Pois sem ele estaríamos sós, isolados do mundo e de nossa própria presença; uma não existência.

Uma Upanishad diz: "Tira a plenitude da plenitude, e a plenitude restará."

O silêncio nos acompanha ainda que o deixemos para trás. Ele está nos gritos de prazer e no sabor das melancias, está nesta palavra e em todos os textos, nos abraços apertados ou apressados e nas conversas longas e curtas. Ele está conosco quando nos aquietamos ao lado de quem amamos; em sua forma mais perceptível.

E como dizem por aí, o silêncio, além de tudo isso, é sagrado.



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